Uma casa feita à medida… do nosso amor…

| 2 Janeiro, 2014 | 1 comentário

É com enorme prazer que vos apresento a minha primeira convidada a psicóloga Paula Freire que para além de ser uma mãe excecional é uma pessoa com palavras sábias.

 

– um voo pelas emoções da adaptação escolar –

 

O meu pai é o super-homem e a minha mãe a raínha mais linda do universo!” é a tinta com que os filhos

pintam na tela a imagem dos seus primordiais cuidadores. E assim, na certeza de que funcionam como a

âncora do seu mundo e um farol na noite dos seus medos, de tudo capazes para os proteger, se revolteiam

as emoções no momento atroz da separação. E com ela, todas as outras emoções que permeiam o tempo e

o espaço da necessária adaptação escolar. E que sendo tantas vezes difícil, mas ainda assim tão simples, é

apenas isso: um tempo oferecido às crianças – e aos pais – para se habituarem a um determinado espaço

num momento que faz oscilar, talvez pela primeira vez, os alicerces daquela casinha construída à

medida… do amor de cada família. Pelo sentimento e olhar dessa criança que há ainda dentro de nós aqui

ficam, pois, algumas palavras que podem ajudar a diminuir o temor da passagem por essa ponte da vida:

 

“Se te vais embora por um bocadinho, não fiques por cá como se o dia nunca mais fosse acabar. Só

preciso de um “até já” suficientemente grande que possa ser guardado no coração até ao teu regresso.”

 

“Ah! E não chores também como se me estivesses a deixar no pior sítio do mundo. Não foste tu que

escolheste a minha escolinha? E me disseste que ia ter amigos novos, fazer coisas giras e que tudo ia

correr bem? Confio em ti…”

 

“Estas pessoas que não moravam na nossa casinha, afinal, não são assim tão assustadoras! Sabem

cuidar bem de mim e até me dão uns beijinhos com sabor a mel cada vez que choro por causa deste

estranho vazio que estou a sentir.”

 

“Quando não estás, sabe-me bem ter aqui bem próximo o meu urso fofinho! Sabes, ele ajuda-me a

suportar melhor a falta da melodia da tua voz. Durante uns tempinhos, até eu ganhar as asas da coragem,

não podemos esquecer-nos dele, está bem?”

 

“Escuta bem as minhas palavras quando choro em casa antes de sair. Se te digo que “eu não quero ir

para a escola”, é isso mesmo que quero dizer. E não outra coisa qualquer como “não quero ficar nesta

escola” ou “não gosto da minha escola”. É no verbo que está a diferença. Já pensaste nisso?”

 

“Com o passar do tempo, começo a perceber que todos os dias volto a aconchegar-me no teu abraço

quentinho e a olhar para o teu sorriso mais doce, por isso, estou a ficar cada vez com menos medo.”

 

“Se disseste que telefonas ou que vens buscar-me mesmo antes do meu coração explodir de saudade,

faz o que prometeste. Sabe que para mim o tempo ainda só é compreendido pela distância que vai do

dedinho indicador da cada mão até ao nosso braço.”

 

“Se tudo correr bem ao princípio, não é sempre certo que assim continue. Quando pensares que “agora já não há problema!”, posso ser

surpreendido pela visita do Sr. Medo e da Dona Saudade ao meu

coração. Vou contar-te um segredo de criança: é que eu posso descobrir só um bocadinho mais tarde que

toda esta mudança na minha vida veio para ficar.”

 

“E já agora, antes de ires embora, lembra-te de uma coisa: quando me vieres buscar logo, fala um

bocadinho com estas senhoras. Ouvi contar que elas também sabem dizer aos papás palavras que

aconchegam o coração. Para que no dia seguinte os fantasmas tenham ido embora e o sol possa brilhar

mais cedo nesta casinha feita à medida… do nosso amor.”

 

 

Paula Freire

(Licenciada em Psicologia e pós-Graduada em Consulta Psicológica e Psicoterapia)

Comentários

  1. Elsa Sousa diz:

    Apreciei muito a leitura deste texto escrito pela psicóloga Paula Freire… Penso que vai ser um blog que vai abordar temas interessantes e pertinentes principalmente para quem é mãe de primeira viagem…Continuem com o bom trabalho!!!


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